Procura-se o espírito natalino

por Cecília Russo Troiano

Está chegando o Natal, o ano de 2012 já bate à nossa porta. É hora de rever os amigos, de abraçar quem amamos, de agradecer a paciência da famílias com nossa correria durante o ano inteiro…mas, falta tempo! Se durante o ano já nos esprememos para dar conta de todas as atribuições do dia a dia, tudo fica mais intenso nesses últimos 30 dias. Será que precisa ser sempre assim?

Pois é, não sei. Mas gostaria imensamente que pudéssemos descobrir uma forma de desacelerar a medida que o Natal se aproximasse, que pudéssemos ir, pouco a pouco, impregnando nossos corações com o verdadeiro sentido do Natal.

Sigo pensando em como fazer isso. Será que não é possível? Não me conformo e começo a perguntar para pessoas próximas a mim o que elas fazem para poder viver sem estresse em dezembro, curtindo verdadeiramente a preparação do Natal e o espírito natalino. Descubro coisas muito interessantes.

Em primeiro lugar, a resposta nunca vem rapidamente. Aliás, todos falam coisas assim: “nossa, que pergunta difícil”  ou “agora você me pegou”. Comento com todos que, se fosse fácil não precisaria fazer uma enquete em busca de respostas! Mas, na sequência, boas dicas aparecem. Ufa, há esperanças!

Uns sugerem organizar uma lista das coisas que precisamos fazer e se limitar a estes itens, resistindo a distrações que tirem o foco da lista principal. Outros sugerem não estressar, deixar o tempo passar e não se punir se vários itens da lista ficarem sem serem “ticados”. E ainda outro grupo prefere adotar a postura de empurrar para 2012, acreditando que não vai ser possível mesmo dar conta de tudo em 2011.

Fico pensando nas dicas e tentando trazer algum aprendizado para minha vida. Acho que não consigo fazer apenas o que está na minha lista e não me encantar por novidades que surgem, convites que aparecem, coisas não previstas na minha lista, pedidos amorosos dos meus filhos. Também não sou do tipo tão relax que consegue simplesmente aguentar o estresse e ficar bem, mesmo que a lista de pendências siga aumentando. Tampouco sou alguém que consegue deixar para amanhã, ou para 2012, coisas que estejam na minha lista hoje. Ou seja, chego à conclusão de que nenhuma dica serve para mim. E agora? Como poderei cultivar o espírito natalino, se nada parece funcionar para mim?

Por um momento, minhas esperanças que tinham subido minutos atrás, despencam. Já me vejo, como em anos anteriores, me descabelando e tentando ser equilibrista profissional para dar conta de tudo. “Pensa, Cecilia, pensa”, falo comigo mesma, “deve haver alguma saída…” .

De repente, uma luz! Essas dicas não servem para mim mas me mostram de forma clara que, cada um dos meus amigos tomou uma decisão em suas vidas e se comprometeu com elas. Coube a eles estabelecer a meta e cumpri-la e, assim, garantir a calma para desfrutar o espírito do Natal. Se coube a eles também poderia caber a mim, bastaria eu querer. De novo fico me remoendo para pensar numa estratégia para conseguir esse foco e compromisso, seja lá como. Retomo meus pensamentos em busca de uma saída…

Eureka!!  Se estamos quase na época do Natal, porque não me dar um presente? Essa é a grande ideia que tive, ganhar de presente de Natal o espírito natalino e com isso fazer o tempo andar mais devagar, conseguir dar atenção a quem amo e usar meu tempo para aqueles que precisam de mim. Como já passei da fase de acreditar em Papai Noel, é melhor começar a me mexer para que o presente chegue na minha lareira em tempo. Não serão as renas do Papai Noel que vão me trazer esse espírito natalino, eu mesma terei que ir encontrá-lo.

Se é assim, melhor buscar logo, pois nessa época do ano bens que têm valor acabam rapidinho. Um feliz Natal para todos, com o espírito natalino em nossos corações e um lindo 2012. 

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Cecília Russo Troiano

Cecília Russo Troiano
Psicóloga e Diretora Geral do Grupo Troiano de Branding, grupo de 3 empresas especializado em comportamento do consumidor e gestão de marcas. É também autora de livros e artigos relacionados ao universo das famílias contemporâneas. Em 2007, lançou seu primeiro título - "Vida de Equilibrista: dores e delícias da mãe que trabalha" - e, em abril de 2011, "Aprendiz de equilibrista: como ensinar os filhos a conciliar família e carreira". Mantém seu blog www.vidadeequilibrista.com.br, é colunista do portal Vila Mulher e palestrante regular em eventos.
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