
Meu bebê gourmet
por Carmen Schultz
“Meu bebê... será um gourmet! Seu paladar não menos que sublime! Antes mesmo de provar uma iguaria, seu olfato sensível o protegerá, instintivamente, de deletérios e o guiará na escolha do que será provado. E, só então, língua, dentes e palato unidos decidirão se o sabor...” e assim por diante, até onde a imaginação dos pais, quase sempre muito criativa no que diz respeito aos filhos, pode levar.
Todos os augúrios para que assim o seja! Mas, à realidade, alimentar bem nossos filhos não é tarefa simples. Minha filha, por exemplo, já tinha suas “manias” aos 2 anos. Os alimentos não podiam encostar uns nos outros no prato!! Verde era uma cor que causava uma estranha reação de sons que mais pareciam grunhidos. Quanto a quantidade, sem exagerar muito, ela competia com os tico-ticos que vinham comer migalhas em nosso jardinzinho. Desespero é pouca coisa para definir o que, diariamente, eu sentia durante as refeições (e cá entre mães e pais... em certos momentos, dava aquela vontade de “socar” a comida goela abaixo!).
Dramas à parte, a boa notícia: minha filha cresceu, é linda e bem nutrida!! Viva!! Ufa!!
Obviamente, não queremos passar por isso e, se a perfeição é inatingível, o que fazer para que pelo menos a alimentação de nossos filhos não seja um fardo diário que nos leva, após tantos “não quero”, “não gosto” e “não como”, a capitular e fazer as vontades dos pimpolhos, para mais ou para menos que o saudável e o necessário?
Educar o paladar dos bebês desde a primeira papinha, de modo a evitar ou minimizar as dificuldades que podem existir durante a infância, oferecendo alternativas aos usuais feitios dos pais, sejam eles enérgicos do tipo “se não comer tudo, não levanta da mesa”, ou permissivos como “só come isso e aquilo então... melhor que não comer nada! ” não é uma tarefa tão difícil quanto parece. Procurar informações de como desenvolver o paladar de nossos filhos e quais são os alimentos e preparações indicadas em cada faixa etária é o primeiro passo.
Partimos do princípio de que nosso paladar pode e deve ser desenvolvido, assim como todos os nossos sentidos. As primeiras experiências degustativas de nossos filhos são muito ricas. As preparações oferecidas devem evoluir mês a mês, de acordo com o desenvolvimento da criança até o final do primeiro ano de vida.
Um ambiente alegre e tranquilo às refeições é sempre convidativo. Deixar os problemas e as discussões, inclusive deles mesmos, para outro momento ajudarão seus filhos a relacionar o ato de alimentar-se a um momento prazeroso na companhia dos pais.
Abraço,
Carmen Schultz.





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