
Jantar escuro
por Nica Wissmann
Fazer jantares no escuro é uma experiência que vai além da gastronomia. Mexe com a imaginação, com a criatividade, trabalha com as referências alimentares e sensoriais que vamos armazenando ao longo da vida.
Quando vamos comer uma salada, por exemplo, nossos olhos já enviam a informação para o cérebro e nos “preparam” para o que vamos comer. Vemos as cores, as formas, e já conhecemos os ingredientes que estão lá. Sabemos que tal alimento é doce, o outro amargo, um crocante, o outro cremoso. Mas quando tiramos o sentido que usamos como referência principal, a visão, é preciso prestar atenção a cada detalhe: sentir os aromas, as texturas, o sabor, a temperatura.
Ao comermos vendados, precisamos aguçar cada sentido para poder decifrar todos os ingredientes. Sentir os aromas, tatear as formas, sentir a temperatura. Parece fácil, mas muitas surpresas acontecem no processo. Percebemos como estamos condicionados. Provamos uma coisa, e confundimos com outra. As semelhanças nos enganam, as diferenças de um e outro alimento brincam com a imaginação, confundem os paladares mais aguçados. Tudo acontece em um ambiente acolhedor e descontraído com música e luz de velas, onde cada pequeno detalhe vai chamar a atenção e aguçar os sentidos.
Cada jantar, que tem um cardápio exclusivo, é feito com um tema, como “um tour pela Europa”, ou as 4 estações do ano, e os pratos (canapés, entrada, prato principal e sobremesa) são desenvolvidos com ingredientes que remetam ao tema. Os pratos são feitos explorando diversas texturas e sabores, assim, ao mesmo tempo em que cada um tem que adivinhar o que está comendo, também tem que adivinhar em que estação, país, está.
O jantar vendado é uma experiência diferente, divertida e desafiadora, que explora a intensidade máxima dos alimentos e nos faz enxergar a comida de uma nova maneira.





Promoção da saúde com prazer e uso de alimentos brasileiros.
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