
Atenção e finesse na alimentação
por Elisa Baumgarten
Vivemos em um mundo materialista, no qual a ciência reduziu nossos alimentos a proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e oligoelementos. Coma isto, coma aquilo. A dieta da vez agora é...
Todos estão confusos com tantas regras e mais do que nunca temos dificuldades para manter o peso ou para nos sentir bem e energizados. Hipócrates, o Pai da Medicina, já dizia que o alimento é nosso primeiro remédio. Será que não somos capazes de saber o que devemos comer usando nossa percepção fina?
Animais sempre sabem o que devem comer e muitas vezes mantêm jejum para se desintoxicar. Cães ocasionalmente comem ervas para se curar. Nós, humanos, fomos brindados com cinco sentidos para apreciar e nos integrar à natureza exuberante, viva, harmônica e estética da qual fazemos parte.
Como podemos usar nossos sentidos para nos alimentar de forma sábia? Pelo menos quatro dos nossos sentidos estão diretamente ligados a uma percepção mais fina da nossa alimentação e podem nos auxiliar a comer de forma adequada.
Foi-nos dada a visão para nos deleitarmos com cores e formas; precisamos de amarelo, verde ou vermelho? Num passo além, ver com atenção nos faz compreender o que está além da imagem física, nos remete à imagem invisível aos olhos. A imaginação é aliada da visão e nos abre para várias percepções: como foi plantado, colhido, processado o alimento, a luz, a energia que emana dele.
Nosso paladar aguçado nos permite distinguir aromas e nuances extremamente delicados, além dos tracionais salgado, doce, amargo, picante, ácido. O gosto, quando refinamos com a atenção,nos remete, com certeza, ao bom gosto. Escolhemos então, o que de fato necessitamos, sem que ninguém nos precise dizer "coma isto ou aquilo".
O olfato nos permite conhecer os odores. Quando sutilizamos esse sentido com a atenção, desenvolvemos o faro, a capacidade de perceber o que está oculto. Existe uma grande diferença entre cheiro e quintessência das coisas.
O tato nos permite perceber texturas, temperatura, umidade, suavidade e aspereza. Para além do tato físico, unindo a atenção a esse sentido, perceberemos detalhes, afinidades. Precisamos de algo duro ou macio, crocante, pastoso, líquido, morno, frio ou quente?
É mister que resgatemos nossa atenção, nossa visão intuitiva, que despoluamos nosso olfato e nosso paladar, que agucemos nosso tato para reaprender a nos alimentar de uma forma saudável, compatível com necessidades ditadas por nosso sexo, nossa idade e nosso ritmo.
Precisamos voltar a ouvir sem ouvidos, ver sem olhos, imaginar, sentir o que está além do físico, apreciar alimentos simples. A cada dia estamos diferentes, temos necessidades diferentes e devemos estar atentos a isso.





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