Building Healthier Brands – construindo marcas mais saudáveis

por Carolina Godoy

 

Quando pensamos em construção, geralmente o que vem em nossas cabeças é algo físico, palpável. Lembramos da construção de uma casa, daquele apartamento comprado na planta, da obra de um grande shopping ou hospital - enfim, não importa o empreendimento, o que podemos perceber, via de regra, é que construir é um processo que leva TEMPO.

No mercado de alimentos, não é muito diferente. São necessários anos de pesquisa, estudos, tecnologia, recursos humanos e financeiros, além do envolvimento do trabalho de terceiros em processos burocráticos, por exemplo. Tempos atrás, pouco mais de dez anos, não se falava sobre alimentos industrializados, as empresas sequer tinham por obrigação informar o prazo de validade em suas embalagens. Gorduras trans eram totalmente desconhecidas. E os inventores dos alimentos que continham esse tipo de gordura não poderiam imaginar o impacto negativo que elas teriam na saúde das pessoas.

Para essas e outras futuras descobertas se tornarem possíveis, a indústria de alimentos investiu muito em pesquisa e desenvolvimento. Os clientes estão cada dia mais exigentes, o que torna a tarefa mais difícil para a indústria de alimentos. Atualmente, nós, enquanto consumidores, somos os “donos das marcas”. As empresas estão mais abertas às percepções, ideias e opiniões dos consumidores. Uma ótima estratégia, inclusive, pois dessa forma fica mais fácil saber o que eles buscam e qual o melhor caminho a seguir.

Não posso deixar de falar na tecnologia, pois ela tem um papel fundamental no setor de alimentação. Não somente nos novos processos produtivos, mas também quando pensamos nas inovações trazidas pela internet. As redes sociais têm cumprido um papel nunca antes visto para a sociedade. As pessoas enxergam ali um SAC digital, um local virtual aberto a críticas negativas e positivas. Por exemplo, se a comida de um restaurante não for boa ou do seu agrado, você pode fotografar o lugar ou o prato e postar no Facebook, Twitter, YouTube. Em segundos, suas palavras terão um alcance extraordinário. Isso demonstra que são os consumidores que ditam as regras. 

Diante desse cenário atual, a indústria e as prestadoras de serviços do setor de alimentação buscam atender as necessidades dos consumidores e, esses, querem um alimento gostoso, que seja prático, saudável, de qualidade, confiável e também sustentável - ou seja, que não polua o ambiente e de preferência tenha ações sociais importantes. Ufa! Um baita desafio colocar tudo isso dentro de uma caixinha na gôndola, não?

Foi pensando neste desafio que a Choices International Foundation e o Instituto Minha Escolha no Brasil organizou o Fórum de Tendências e Inovação, no qual as exigências do consumidor, que não são poucas, eram o principal foco. Dentre os pontos levantados, o anseio do consumidor por produtos mais saudáveis foi o principal deles. O evento reuniu 160 representantes de indústrias alimentícias e formadores de opinião da área.

Entre os palestrantes estava Steve Walton, da Health Focus, instituto de pesquisa totalmente voltado para o seguimento da saúde, que apresentou brilhantemente alguns perfis de consumidores e o nível de investimento que cada está disposto a fazer em produtos relacionados à saúde. A partir das informações provenientes do evento, ficou claro que de fato a demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis é uma tendência. As pessoas não abrem mão do sabor, mas estão cada vez mais preocupadas com o corpo, alma e espírito. Guaracy Pessoa, da Innova Database, mostrou que, por exemplo, só nos Estados Unidos, 25% dos lançamentos de produtos salgados tiveram redução de sódio e comunicaram isso nas embalagens.

O evento contou também com a presença Lucia Helena, diretora da revista Saúde! É Vital e do Projeto Emagrece Brasil da Editora Abril. Ela moderou a mesa de discussão “Canais integrados nas estratégias de saudabilidade”, que também teve a participação do Drº Alfredo Halpern, endocrinologista, Cynthia Antonaticcio, nutricionista da Equilibrium consultoria, e Profº Aparecido Borghi, especialista em embalagens da ESPM. No debate, os especialistas falaram sobre o papel que cada área da sociedade tem com o objetivo tornar o Brasil um país mais saudável.

O papel da indústria, diante da busca pela saudabilidade, está em diversificar e ampliar a linha de produtos com um bom perfil nutricional. Aos governos e associações fica a missão de incentivar a prática e a educação alimentar junto a população. E a nós, consumidores, fazermos escolhas saudáveis e inteligentes, impulsionando o mercado neste mesmo sentido - ajudando, assim, no processo de construção de marcas mais saudáveis.

Saiba um pouco mais sobre uma iniciativa que cresce todos os dias e tem mostrado bons resultados em melhoria nutricional de produtos: www.programaminhaescolha.com.br

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Carolina Godoy

Carolina Godoy
Nutricionista e Técnica em Alimentos, atuou na indústria de alimentos por mais de 10 anos, trabalhando nas áreas de Controle de Qualidade, Desenvolvimento de Produtos, Análise Sensorial e Nutrição de empresas multinacionais. Desde 2009 coordena a área técnica do Instituto Minha Escolha Brasil, em interface com indústrias de alimentos, profissionais da saúde, governo e imprensa.
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