Alimentação saudável para a criança nos dois primeiros anos de vida

por Semiramis Domene

 

A chegada de um bebê é um momento muito especial: uma explosão de vida carregada de emoção, expectativas e, por que não reconhecer, dúvidas! Dúvida sobre a melhor forma de cuidar, de envolver com proteção e amor aquele pequeno ser que depende, diretamente, do cuidado dos pais e dos familiares próximos.

Fazer escolhas certas nesta fase será decisivo não apenas para o adequado crescimento e desenvolvimento na infância: evidências científicas cada vez mais confirmam que muitos problemas de saúde na vida adulta guardam relação estreita com o padrão alimentar dos primeiros anos de vida. Ao lado das alterações metabólicas decorrentes da desnutrição tanto na fase gestacional quanto após o nascimento, transtornos na capacidade de processar adequadamente o equilíbrio energético ocorrem também por conta de excessos alimentares precoces.

Por estes motivos, toda a atenção às primeiras experiências que a família proporcionará ao bebê no contato com os alimentos é fundamental; e não é difícil, com bom senso e informação para evitar algumas “armadilhas” da vida moderna, com reconhecido prejuízo para a dieta das crianças como se observa, especialmente, nas últimas décadas. O resultado da incorporação de alimentos pouco saudáveis na infância se percebe hoje nas estatísticas: crianças e adolescentes, especialmente a partir dos anos 1980, com agravos à saúde anteriormente típicos de adultos doentes, como hipertensão e hipercolesterolemia, além do sobrepeso.

Para começo de conversa, todo empenho deve ser feito para que o aleitamento materno aconteça ao longo do primeiro ano de vida e, até o sexto mês do bebê, seja a fonte exclusiva de alimento. Não há maior consenso, na nutrição e na pediatria, do que a certeza de que nada, nenhuma fórmula ou alimento, é mais adequado do que o leite materno neste período; e ele pode ser oferecido logo ao nascimento, nos primeiros minutos de vida do bebê.  Durante a gestação, um preparo adequado para esta fase pode ser de grande ajuda!

A partir do sexto mês, a oferta de alimentos e água pode começar em três horários diferentes no dia, de forma complementar ao aleitamento materno: uma fruta amassadinha pela manhã e outra à tarde, com uma papa salgada no almoço. No oitavo mês oferecer a segunda papa salgada, até que com um ano a criança esteja recebendo cinco refeições ao dia, com o acréscimo de mais uma refeição, como um mingau.

Detalhe importante: os alimentos e a água devem ser servidos sempre com copos ou colheres, evitando-se o uso de mamadeira, e mantendo-se a oferta do leite materno.  

Para não errar, evite oferecer a uma criança, pelo tempo que for possível: açúcar de qualquer forma, alimentos industrializados com aditivos como corantes e aromatizantes, gorduras vegetais hidrogenadas – como margarinas -, massas instantâneas, biscoitos doces, salgados, alimentos dietéticos, refrigerantes, refrescos artificiais e frituras. Nada disto faz falta!

Isto não significa, necessariamente, proibições ou constrangimentos quando, em idade de relacionamento com amiguinhos, eventualmente a criança estiver em uma situação de partilha – como uma festa ou viagem – e tiver acesso a alimentos pouco saudáveis. 

Se você tem interesse em aprender mais sobre o assunto, inclusive sobre como preparar refeições adequadas para bebês, o Ministério da Saúde tem uma publicação excelente, com todas as dicas para orientar a alimentação da criança nos dois primeiros anos de vida: leia o manual intitulado “Dez passos para alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de 2 anos”, disponível em portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/caderneta_crianca_2007_23.pdf.

Afinal, nada melhor do que cuidado com informação para traduzir o amor e o carinho que uma criança desperta e merece receber de volta! E as escolhas para a dieta do bebê são expressão deste sentimento cheio de significado: alimento saudável para um crescimento pleno!

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Semiramis Domene
Semiramis é Nutricionista, mestre e doutora em Nutrição pela UNICAMP com pós-doutorado em Nutrição pela UNIFESP. No Instituto Nutra e Viva, participou da concepção dos indicadores nutricionais de qualidade e definiu toda a informação técnica apresentada nos produtos e serviços, garantindo que estejam de acordo com consensos internacionais. Sensível e atenciosa, alia os conceitos mais atuais e reconhecidos de nutrição e saúde com a arte de viver bem.
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