
Adoçar sem acrescentar
por Luise Freitas
Nove em cada dez consumidores nos Estados Unidos compram ou usam alimentos com baixas calorias, incluindo alimentos sem açúcar ou com gorduras reduzidas e refrigerantes. Essa tendência também pode ser vista na Europa e em países em desenvolvimento principalmente pelo desejo do consumidor em consumir alimentos doces sem acrescentar calorias em sua alimentação.
Adoçantes são compostos artificiais desenvolvidos com o objetivo de proporcionar o mesmo, ou simular, sabor doce que encontramos nos açúcares. Foram desenvolvidos principalmente para diabéticos, que devem controlar o consumo de carboidratos.
Alimentos adoçados artificialmente parecem ser saudáveis, afinal, ao consumi-los desfrutamos de uma ótima sensação doce com pouca ou nenhuma caloria ou resposta glicêmica.
Ao tomar um chá com adoçante, por exemplo, temos a mesma sensação doce de um chá com açúcar, porém o nosso organismo não responde de forma natural. Sabe-se que, muitas vezes, o que não é natural pode trazer riscos à saúde.
As primeiras preocupações referentes ao consumo de adoçantes surgiram há algumas décadas atrás. Em 1960, com o diabetes, na década de 1990, com a hiperatividade e problemas comportamentais de crianças e em 2000, com a obesidade.
Aprovados pela Food and Drug Administration (FDA, órgão que regula alimentos e medicamentos nos Estado Unidos), a sacarina, o aspartame, o acesulfame K, a sucralose e, mais recententemente, o neotame, aparecem em diversos rótulos de alimentos. Apesar de serem considerados seguros e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo FDA, por que diversas pesquisas e consumidores ainda questionam o consumo de adoçantes?
Primeiramente, é necessário entender o alto consumo de doces pela população. Preferências por esses alimentos são desenvolvidas desde cedo - o leite materno é naturalmente doce. Aprendemos a gostar dessa sensação muito antes de experimentarmos um alimento diferente do leite.
Doces enviam um sinal sensorial para atender as necessidades metabólicas de energia. Os alimentos naturalmente doces, como as frutas e o leite, contêm importantes nutrientes para a saúde; portanto, o consumo moderado é recomendado.
Em contrapartida, os adoçantes têm o poder de adoçar extremamente maior que o açúcar com baixo ou inexistente valor energético e nutricional. Diante disso, muitos se esquecem que foram desenvolvidos para fins especiais e acabam consumindo-os cada vez mais. Alimentos adoçados artificialmente também estão muito presentes nas nossas mesas.
Até o momento não há evidências de efeitos adversos em longo prazo, mas vale ressaltar que estas conclusões consideram os resultados de investigações conduzidas com modelos biológicos não humanos e, eventualmente, com seres humanos, sob condições controladas. Cada um dos estudos avalia um adoçante de cada vez, e os consumidores estão expostos a uma combinação deles ao optar por consumir diversos alimentos doces sem açúcar.
Em algumas situações, como na gestação, por limitações óbvias de ordem ética, não existem evidências. Estudos mostram que alguns adoçantes, como a sacarina, podem atravessar a placenta e permanecer nos tecidos fetais. Portanto, o uso de adoçantes durante a gestação é controverso.
Indivíduos com sobrepeso e obesidade que consomem adoçantes e visam à perda de peso devem repensar a sua utilização. Um maior número de investigações também é necessário para avaliar o papel de adoçantes na promoção da perda de peso, particularmente a longo prazo.
Diante da escassez de pesquisas em humanos, procure privilegiar os açúcares naturais das frutas e lácteos e moderar o consumo de açúcar refinado. Consumir adoçantes em situações pontuais e não como hábito é uma escolha mais segura para evitarmos ser surpreendidos por pesquisas futuras, como aconteceu com as margarinas, que, após alguns anos de mercado, veio conhecimento sobre os males da gordura trans hoje controlada.
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